Quarteto "Douro" - 12 de Novembro de 2009
V Concerto no Museu do Douro, Régua
| O quê |
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|---|---|
| Quando |
2009-11-12 de 09:30 PM até 11:00 PM |
| Onde | Museu do Douro, Régua |
| Nome do Contacto | Museu do Douro |
| Email do Contacto | geral@museudodouro.com |
| Telefone do Contacto | 254310190 |
| Adicionar evento ao calendário |
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Programa V
O Quarteto "Douro" apresenta o 5º Concerto do ciclo como residente do Museu do Douro.

I parte

28'
Quarteto em Sib Maior - op. 168
(1814)
F. Schubert
II parte

30'
Quinteto com Piano em Mib Maior - op.44
(Setembro e Dezembro 1842)
Robert Schumann
Piano: Constantin Sandu
Quarteto de Cordas no Douro
Schubert e Schumann, eis dois dos mais representativos nomes do chamado período romântico na música.
O
Quarteto em Si b Maior, D 112 (ou op. 168), foi
concebido pelo adolescente Franz (17 anos) dentro de oito dias! A
finalidade concreta desta obra era, para ele e naquela altura, a
execução “ao vivo” pelas mãos do quarteto “da casa” e para
os ouvidos dos seus membros. Este quarteto era constituído pelos
dois irmãos mais velhos, nos violinos, e o pai, no violoncelo, sendo
que este último assegurava também a parte da viola. À luz destes
dados, é interessante observar algumas dificuldades técnicas
colocadas na parte da viola, assim como a linha sóbria e simples
destinada ao violoncelo – provavelmente, para não incomodar muito
o pai.
O
primeiro andamento, Allegro ma non troppo, começa com uma
ideia evocativa, exposta apenas pelo 1º violino, sem acompanhamento
algum, numa desconcertante atitude de simplicidade. Junta-se-lhe a
viola, repetindo a mesma ideia – já com alguma consistência
sonora, revelada pelo paralelismo harmónico resultante. A seguir,
entra em jogo o violoncelo, com uma nota prolongada, enquanto a viola
introduz uma pulsação rítmica, assegurando um rumo ao discurso.
Finalmente, o 2º violino aceita o convite do 1º violino, dobrando a
melodia. E assim, o quarteto começa a desenrolar-se, da mais natural
e genuína maneira.
Mas
a principal particularidade deste andamento está prestes a ser
revelada daqui para frente: o discurso, magnifico, percorre imensos
espaços, munido por uma lógica infalível, sobrevoando pausas
gerais e apoiando-se nas colunas sonoras criadas pelos acordes do
ensemble. O jovem Schubert já conhece na perfeição as
capacidades técnicas dos quatro instrumentos, o que lhe permite a
adopção de estratégias de grande eficácia: enquanto o 1º violino
dialoga com o violoncelo, as vozes medianas do quarteto mantêm uma
pulsação contínua, semeada regularmente de explosões sonoras.
No
final deste 1º andamento, encontra-se, no manuscrito, uma breve nota
do autor: “In 4 ½ Stunden verfertigt” (“acabado em quatro
horas e meio”) – tempo insuficiente para uma mera transcrição
do texto!... Tal afirmação ajuda-nos entender a origem da invulgar
fluência e coerência das ideias musicais saídas dum único
“soprar”.
O
Andante sostenuto seguinte muda o ambiente sonoro para um coro
de vozes graves e longínquas. Após uma secção transitória, um
segundo tema, gracioso e convidativo, tenta impor uma atmosfera
descontraída, de confiança. No final deste andamento, ainda se
fazem ouvidos dois breves trovões.
O 3º
andamento irrompe com uma alegria contagiante, exprimida com a ajuda
das melodias populares de “ländler” austríaco.
Uma
última surpresa nos reserva Schubert no final do quarteto: três
instrumentos começam a tocar um coral em sonoridades discretas,
enquanto o 1º violino executa esporádicas e discretas “manchas”,
de movimento rápido e delicado. Parece que estamos perante um futuro
quadro impressionista. O 1º violino insiste com as suas intervenções
até conseguir contagiar o grupo inteiro, debruçando-se em curtas e
impetuosas cavalgadas.
O
ano de 1842 foi, na vida de Robert Schumann, o ano das obras
destinadas aos ensemblesQuinteto com Piano, em Mi b Maior, op. 44. Seis dias
bastaram-lhe para criar uma das mais belas obras-primas da literatura
cameral. O facto revela-se ainda mais espectacular, se nos lembrar
que se trata da primeira obra na história da música, escrita neste
género, onde o piano se associa a um quarteto de cordas. Pois a
estratégia do compositor desenvolver-se-á em torno deste ponto de
partida concreto: existem dois “grupos” – piano e cordas –,
com características sonoras distintas, que se vão confrontando ao
longo da obra, originando vários tipos de diálogo ou vários tipos
de união de forças. A tonalidade escolhida, Mi b Maior,
remete-nos para a Terceira Sinfonia de Schumann, a Renana.
Mais tarde, Richard Wagner – que, aliás, ficou muito impressionado
pelo quinteto de Schumann, ouvido em 19431
– utilizou a mesma tonalidade, para descrever as águas do Reno, no
prelúdio da sua opera, O ouro do Reno.
camerais. Nesse ano de grande efervescência criativa, entre 23 e 28 de Setembro, Schumann concebeu o
O
sentimento de plenitude e de grandeza exprimido pela tonalidade
revela-se logo nos primeiro acordes temáticos do 1º andamento.
Opõe-se-lhe o poético diálogo entre o violoncelo e a viola,
discretamente acompanhado pelo piano e comentado pelo 1º violino, na
repetição. Novas e ameaçadoras energias são desencadeadas no
início do desenvolvimento.
A
ideia de marcha fúnebre para o andamento lento veio da 3ª
Sinfonia de Beethoven – a Heróica –, também
utilizada por Schubert no seu 2º Trio com Piano, op. 100. O
tema principal é precedido por um motivo descendente, enunciado pelo
piano. A atmosfera criada pelas curtas pausas em alternância com
inesperadas dissonâncias é impressionante. A forma deste andamento
utiliza a alternância da marcha fúnebre com outras duas ideias
contrastantes, descrevendo um trajecto simétrico. A primeira ideia
contrastante traz a luz e a paz da tonalidade relativa, Dó Maior,
enquanto que a segunda, Agitato, altera por completo o
carácter do andamento. A revolta, a não-aceitação do estado
anterior dominam o discurso. Mas, de repente, no meio da agitação,
ouve-se a viola a entoar, forte e implacavelmente, o tema da marcha
fúnebre, impondo, pouco a pouco, o retorno à atmosfera inicial.
O
Scherzo, com as suas escalas ascendentes, oferece
oportunidades de bravura técnica aos cinco instrumentistas.
Novamente, as secções alternantes foram concebidas por Schumann com
conteúdos fortemente contrastantes.
O andamento final arranca com uma nova surpresa: um tema em dó menor (a tonalidade da marcha fúnebre), em vez da tonalidade principal (Mi b Maior). Isto permitiu ao compositor a realização de novos trajectos expressivos, evitando a solução habitual, do simples final feliz. O caminho a percorrer tornou-se complexo, assente em vários temas, às vezes alusivos aos andamentos precedentes. Aparece, num momento de sossego sonoro, uma fuga dupla, baseada no 1º tema do andamento. A construção polifónica conduz a uma nova culminação, realizada em sonoridades orquestrais. Haverá mais espaço para continuar o caminho? Sim!, diz Schumann, uma nova fuga dupla!
Desta
vez, o tema principal do 4º andamento sobrepõe-se ao tema do início
do Quinteto – aliás, aludida pelo violoncelo, pouco antes
da última culminação. Uma vez realizado este corolário, as
sonoridades cheias, optimistas e reconfortantes do Mi b Maior
inicial podem reinstalar-se definitivamente para finalizar a obra.
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Radu Ungureanu
Preço do Bilhete: 5€
Organização e Produção

